O PODER DAS IMAGENS

Já virou senso comum dizer que vivemos a civilização da imagem. Elas se triplicam e se difundem a cada segundo nos celulares, na Internet, na televisão….

As imagens têm o poder de tornar presente o que está ausente, isto é representam, tornam presente uma paisagem, uma pessoa, etc.

O ser humano sempre produziu imagens , afinal o olhar chega antes do pensamento, antes da linguagem. Por exemplo, podemos dizer: “Ontem a Ana estava feliz”. Lembrar o perfume da Ana é um rastro (índice), o nome Ana é um símbolo (abtração das palavras), mas a foto de Ana é um signo que por guardar uma forte relação com a realidade, possui um grande poder icônico e nos convence imediatamente que Ana estava feliz.

Nos tempos das cavernas (Paleolítico) o sujeito chegava até o mais fundo das cavernas para pintar bichos na parede, cavalos, bisontes…. e a imagem pintada tornava presente o próprio bicho, a imagem se revestia de um poder mágico, pintar animais era garantir uma boa caçada, é como se o homem pudesse aprisionar a alma do animal produzindo imagens nas paredes.

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Para vocês terem uma idéia, certa vez um fotógrafo europeu, depois de passar uma temporada em uma aldeia africana, resolveu fazer umas fotos do lugar, dos animais, da paisagem… e quando estava indo embora o chefe do lugar pediu as fotos dizendo: Se você levar as imagens… como vamos sobreviver?

As imagens estavam relacionadas com o sentimento religioso, com o sagrado, com o transcendental. Na Idade Média as imagens (ícones) pintadas ou esculpidas de santos, de Deus ou da vida de Jesus eram reverenciadas por que não eram imagens representadas, era o próprio Deus que se fazia imagem, tal vez por isso elas não podiam lembrar o corpo humano nem os aspectos naturais da realidade.

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Já no Renascimento, com o surgimento da figura do artista, as imagens começam a se associarem com a individualidade do artista, então dizemos, esta imagem é de Maria (mãe de Jesus), mas também é Leonardo da Vinci, Rafael Sanzio, Rembrandt, etc., isto é, a imagem perde seu poder mágico, para expressar a habilidade técnica do pintor, sua visão pessoal, sua criação, sua individualidade, a unicidade da imagem. 

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A vocação de São Mateus (1599/1600) – Caravaggio

Procurem imaginar o impacto que tiveram a produção técnica destas imagens no olhar das pessoas, em uma época que ainda não existia a fotografia nem a televisão!

Nos finais do século XIX, com a invenção da fotografia, as imagens como representação do real desaparecem das pinturas. É como se os artistas, diante da reprodução técnica e maquínica da imagem pudessem enfim se libertar do figurativo (imagens que lembram o real), e já não se interessam mais por pintar retratos, paisagens, naturezas-mortas, cenas do cotidiano…. o que interessa são os elementos formais livres dos condicionamentos: a cor pode falar, a luz pode dançar, as formas podem correr e assim passam a ter vida própria.

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Discos em Relevo (1936) – Robert Delaunay

Mas mesmo aqui na Arte Moderna, as imagens (que já não são mais imagens) estão revestidas de poder ao produzirem sensações visuais, ao provocarem estranheza, ao levarem à reflexão sobre os questionamentos feitos pelos artistas,etc.

No século XX, com o advento das tecnologias, o aprimoramento da máquina fotográfica, o surgimento do cinema e a produção televisiva, as imagens passam a se multiplicarem a uma escala jamais vista pela humanidade. De objetos únicos, as imagens se tornam democráticas, elas já não são privilégio de uma classe de sacerdotes, de reis ou de ricos comerciantes, a humanidade pode possuir a imagem através de revistas, jornais, gravações de vídeo-cassetes, etc.

Tamanha é sua divulgação para consumo que elas se banalizam.

Porém, ao mesmo tempo que se tornam descartáveis através de sua divulgação pelos  meios de comunicação e tecnologias digitais (celulares, internet, etc), ao mesmo tempo que, pela velocidade em que circulam, já não permitem a reflexão ou a percepção da individualidade de seu criador, as imagens voltam a adquirir o poder mágico que tinham nas cavernas. Mas como isso acontece?

Oras, o investimento massivo na superação tecnológica, está fazendo com que a gente passe a conviver com imagens de altíssima definição.  Uma fotografia publicitária de um lanche McDonald´s não é real, é hipereal, é mais atraente que o lanche real. As imagens jornalísticas nos levam para qualquer lugar do planeta, em tal velocidade que dissolvem em nossa percepção a noção de tempo e espaço, tudo se torna presente e real.

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Hoje, nosso olhar é o olhar da máquina digital, onde cálculos numéricos ponderam a luz e a cor da realidade e se ela faz isso por nós, quem vai perder tempo em apreciar uma imagem natural?

Para concluir, a imagem perdeu o poder de produzir pensamento, mas ganhou o poder mágico em criar novas realidades, simulacros do real, realidade virtual, quadros delirantes. É isso aí!

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Sobre urupespc

Sou professor de artes e design gráfico, gosto de tudo relacionado ao universo das artes.
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