ZEITGEIST – Renascimento e a Cultura Popular

No post anterior comentei sobre o espírito de uma época (Zeitgeist), apresentando algumas características do Renascimento. Vale lembrar que, toda a produção e poética renascentista atravessam os séculos, não só pela técnica primorosa, riqueza temática (religião, mitologia, retratos, etc), mas também por que os artistas abordam questões que fazem parte de nossa experiência humana (amor, fé, vingança, mêdo, alegria, dor, etc).

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Pietá, 1465 – Giovanni Bellini

No entanto, tenho a sensação que o legado cultural renascentista, que tanto disfrutamos nas páginas dos livros de história da arte, representam uma classe dominante (burgueses, papas, mercadores) letrada e sua visão de mundo.

Mas, e a classe popular que vivia o espírito daquela época (camponeses, artesões, etc), como pensar o Renascimento sem considerar a produção cultural dessa camada social?

No contexto histórico, esta classe de excluídos (a imensa maioria da população dos países europeus), que, embora recebesse influência de uma cultura imposta, estava mergulhada na tradição oral (não letrada), marcada por um “imaginário” que intercalava mitos e rituais pagões com a religião oficial, e se refletia nos rituais de fertilidade, nas festas de colheita, nos carnavais, na comida, na literatura de cordel, etc, e que, embora vivendo neste período marcado pelo comércio, fé, guerras, peste, ciência, individualidade, etc., criavam uma visão própria de sua época.

Corremos o risco de apresentar um olhar ingênuo, quando partimos do escasso material que sobreviveu até os nossos dias, para testemunhar as idéias e o imaginário popular renascentista, entretanto, vou postar algumas produções que podem nos oferecer algumas pistas para podermos recriar as margens invisíveis (excluídos) da história.

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Dança de Casamento, 1566 – Pieter Bruguel

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Provérbios Holandeses- Hieronymus Bosch

Nesta produção, o artista nos apresenta alguns provérbios da época, para nos apresentar a insensatez humana. Vamos descobrir alguns provérbios nas imagens? “Nunca confie em alguém que carrega o fogo em uma mão e a água na outra“; “Deixe pelo menos um ovo no ninho” (economize para os tempos difíceis); “Para casar com o cabo da vassoura”  (viver junto sem aliança ); “Fazer a barba sem espuma” (enganar alguém); “Quem come fogo, peida faíscas” (cuidado com aventuras perigosas); “Eles cagam pelo mesmo buraco”  (estão de acordo em uma idéia). Vale o passeio visual.

Fica a reflexão, por hoje é só, um grande abraço.

 

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Sobre urupespc

Sou professor de artes e design gráfico, gosto de tudo relacionado ao universo das artes.
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