A LINGUAGEM PUBLICITÁRIA

Olá pequeno gafanhoto… hoje vamos dar início a um série que busca comprender o papel da Publicidade em nossas vidas, o fascínio das Marcas, o Desenho gráfico, a Produção do Cartaz e a Função da Tipografia (letras gráficas) no mundo contemporâneo. Boa viagem!!

 

 

 

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SERES HUMANOS, POLÍTICA E O 8° PASSAGEIRO

Um  documentário da BBC, “Planeta Terra” que apresentava o fungo/parasita Cordyceps, que se aloja no cérebro da formiga para transformá-la em zumbi e assim garantir sua sobrevivência, me levou a realizar algumas conexões entre a política e as ideologias  que colonizam nossos pensamentos e nos transformam em “zumbis”.

A idéia de zumbis, alienígenas que se alimentam da vida não é recente, podemos encontrar este conceito em vídeo-games como “The Last of Us”, “Residente Evil”, na ficção científica literária, nos quadrinhos e no cinema em filmes como “Matrix”, etc.

O sucesso de toda essa produção cultural talvez se deva também ao fato de que o mêdo ao desconhecido, mêdo daquilo que nos escapa ao controle, sempre nos fascinou.

Neste sentido, um dos filmes mais perturbadores que me lembro foi  o  filme de Ridley Scott, “Alien – O 8° Passageiro”, onde (em um futuro próximo) uma nave mineradora comandada por terrestres, entra em contato com uma forma de vida alienígena em hibernação e que utiliza o ser humano como hospedeiro. Mesmo sabendo do risco, um andróide/tripulante recebe ordens dos diretores da companhia em preservar a vida alienígena, mesmo que isto custe a vida de toda a tripulação. Vale a pena rever o filme!

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A imagem do cartaz de divulgação do filme por si só já é intrigante, pois apresenta uma espécie de óvulo fecundado esperando pelo seu nascimento, o que nos leva a associar com nossas próprias contigências, o mêdo em uma gestante de que seu filho possa nascer com problemas de formação, nosso terror diante de bactérias hospitalares, etc.

Outro conceito de “colonização” é apresentado em um artigo do jornalista Eugênio Bucci:  “Aquilo de que o humano é Instrumento descartável”.

Em 1995, Richard Dawkins, publicou um livro “River Out of Edén”. “Neste livro, o autor diz que o ser humano  e outros organismos vivos, nada mais são  que um engenho dos genes para se transportarem (os genes)  em direção ao futuro. Isto é, dentro de um pensamento darwinista, não serão as espécies que triunfarão, mas os genes”. (Isto te lembra alguma coisa, tipo mapeamento genético?).

“Se Darwin utilizou sua teoria como uma metáfora do liberalismo, considerando a vitória do indivíduo sobre seu destino.  Dawkins parece simular um capitalismo generalizado, totalizante, que reduz o sujeito, à instrumento de um projeto cuja origem, cujo fim e cujo sentido nos escapa das mãos” (Bucci, 2009).

CONTIGÊNCIA E O NASCIMENTO DA POLÍTICA

Mas vamos devagar. Gostaria de explorar melhor a idéia de contigência, ou seja aquilo em que qualquer um pode estar sujeito, mas não pode controlar, um exemplo seria saber que um dia vamos morrer e isto pode produzir uma série de mêdos.

Pois bem, diante da contigência, podemos apresentar duas paixões: o mêdo e a esperança. O mêdo diante de um futuro incerto e a esperança de que coisas boas podem nos acontecer. O mêdo gera a tristeza, a esperança, a alegria.

Vamos pensar em nossos antepassados do paleolítico, vivendo em um mundo repleto de contigências, de fôrças que escapavam ao controle. Provavelmente viviam em um clima de bastante mêdo. E, foi desse mêdo que nascem as formas primitivas da religião, como uma forma de explicar as forças sobrenaturais. Surge então a figura do feiticeiro, do xamã que podia dialogar com essas fôrças, gerando assim uma das primeiras formas de poder religioso.

Com o despontar das primeiras civilizações, surgem as guerras pela posse da terra, e para não ficarmos expostos à guerra de todos contra todos, buscamos na figura do rei, uma forma de proteção contra as contigências de uma morte trágica. O rei portanto passa a deter o poder militar, seja na Grécia antes do advento da política, seja na Idade Média.

O poder econômico (em algumas sociedades patriarcais) estava no âmbito da vida privada e era exercido pelo chefe de família, que tinha poder de vida ou morte sobre os seus súditos (esposa, filhos, escravos), o velho Testamento está repleto de exemplos deste tipo de poder.

Com o tempo, o rei passou a centralizar os poderes religioso, militar e econômico e isto começou a gerar uma série de problemas. Buscando superar a centralização e suas contradições, surge na Grécia,  a política (polis = cidade), em um espaço (praça) onde todos cidadãos (demos = povo) discutiam as questões públicas.

Porém, além de romper com o poder centralizador do rei, a política também visava uma vida harmônica entre os moradores da cidade. Vou mais além, além disso ela oferecia uma certa segurança diante das contigências apresentadas pela vida nas cidades.

O que isto quer dizer, embora a cidade foi criada para a convivência humana, nós somos movidos por paixões, o desejo de poder, de dominar o outro, de prejudicar o próximo, etc., neste sentido, a política cria leis e procura administrar o bem público de maneira a nos proteger de nós mesmos.

Assim sendo,  pensar na política, é pensar de forma coletiva, superar nossas paixões egocêntricas, para se discutir a cidade como um todo.

CONTIGÊNCIA E O PODER ECONÔMICO

Com o surgimento do capitalismo na era Moderna, a discussão sobre o bem comum, partindo de princípios do liberalismo, passa a dar lugar aos interesses da classe dominante (como sempre aconteceu na história humana) neste caso a burguesia (mercantil, industrial), que passa a apoiar a livre iniciativa, a competição (sem considerar as desigualdades sociais e, então, o poder econômico que estava restrito ao âmbito do privado, passa a fazer parte da discussão pública.

A partir de então, a política passa a ser um espaço de embate de fôrças opositoras (a Revolução Francesa pode ser um exemplo emblemático), onde embora  grandes injustiças ainda eram cometidas, o debate político era o espaço vital para as grandes decisões.

Curitiba

No final do século XX, com a globalização e desregulamentação do mercado (neo-liberalismo), a política começa a apresentar sinais de debilitação, o poder econômico passa a ter os mesmos poderes que o rei, antes da criação da política.

Não seria preciso, mas volto a dizer que quem governa o mundo hoje não são os políticos, mas o poder econômico, cujo principal objetivo é o domínio e lucro a qualquer preço.

Mas como estes poderes atuam? Interagindo diretamente sobre nossos mêdos e esperanças, interferindo nas decisões políticas dos países, justificando as crises, se apropriando da produção científica e ofecerendo novidades tecnológicas, oferecendo poder e felicidadade através da publicidade e do consumo e criando simulacros da realidade.

A velocidade em que vivemos as mutações (produzidas principalmente pelas novas tecnologias que alteram nossa percepção de tempo e espaço e também atuam como um canto da sereia) nos faz cair em uma espécie de sono e que nos faz esquecer  das ações políticas que possam questionar nosso lugar no futuro, esquecer da empatia necessária para perceber a dor do outro, esquecer que toda produção científica, (inclusive o mapeamento genético) requer nossa participação nas decisões éticas, esquecer que toda a nossa fúria pelo consumo (roupas, veículos, tecnologias) vai ter um custo na vida do planeta, esquecer que toda violência urbana é fruto da injustiça e de um sistema econômico neo-liberal perverso, que pode desembocar em um estado neo-totalitário global de segurança máxima, etc.

Este sono faz com que banalizemos a vida, a experiência, a tradição, a história e vemos com normalidade multidões em um shopping consumindo e sendo consumidos, vizinhos que não se cumprimentam, comidas industrializadas, adolescentes que passam dezoito horas jogando sem parar vídeo-games (claro, têm uma indústria por trás disso), jovens e adultos que se encontram em um barzinho Wi Fi, e só se comunicam através de celulares e notebooks?

No entanto, as estratégias micro políticas atuais têm apontado a transformação do espaço privado em espaço público e “coletivo”, onde o individualismo nos leva a buscar defender interesses de um pequeno grupo, da família, de nossa comunidade religiosa, de nossas necessidades pessoais e isto interessa bastante aos nossos representantes, já que eles não precisam apresentar um projeto político consistente.

Nas eleições, basta defenderem a luta contra a violência, mais segurança pública, combate ao narcotráfico, redução das tarifas de transporte e já garantem sua permanência como representante político (o que não deixa de ser uma “teta” de rendimentos, que ninguém quer largar).

Porém, o que mais me perturba nesta história toda, é que, enquanto humanos, chegamos a um patamar de desenvolvimento técnico/científico, que nos produz a sensação de que temos super poderes, superamos a barreira do tempo e do espaço (Internet), temos smarphones, games, veículos (4×4) automatizados, imagens full hd, cinema 3D, apartamentos inteligentes, shoppings…vivemos em tempos de uma mutação técnica sem precedentes que nos leva a confundir realidade com ficção científica, isto é, passamos a viver em uma espécie de cenário controlado pela tecnologia e por que não, pelas máquinas.

Novas tecnologias

Neste ambiente, a linguagem (base do nosso pensamento) vêm sendo substituída por logaritmos, imagens sintéticas, impulsos e reflexos… que destroem o poder da palavra, do discurso enquanto caminho para a reflexão e a ação sobre nossos destinos e uma vez extinta a linguagem (o discurso), rapidamente seremos colonizados pela lógica da técnica (em mãos de poderes empresariais) em uma linguagem incompreensível.

Não estou aqui, questionando os avanços científicos e tecnológicos que podem nos proporcionar qualidade de vida e confôrto, mas nossa alienação diante de tantas novidades.

Embora o documentário em questão possa remeter diretamente a um cenário de ficção científica, gostaria de reforçar a questão das políticas públicas ou o seu esquecimento, onde a economia deveria estar a serviço da política e não de teorias econômicas pautando a política, isto é, fundamentos que estão a serviço de interesses corporativos das maiores empresas do mundo.

Neste sentido, a economia (grandes corporações) seria como uma espécie de “8° Passageiro”, um “alien” que coloniza o nosso pensamento político e por ende, a sociedade civil. Não obstante a nossa arrogância de poder, de liberdade, etc…  E se… alguns poderes se apropriarem de pesquisas científicas para elaborarem uma guerra bacteriológica?

Ou seja, sem perceber estamos caminhando sem refletir nossas ações dentro do verdadeiro conceito de “política” e vamos mergulhando no cenário de ficção proposta pelo filme “Alien – o 8° Passageiro” ou mesmo “Matrix”, onde não seremos mais que mero hospedeiros de poderes econômicos que vampirizam nossas vidas.

Pois bem, olhem para sua vida na cidade, aparentemente disfrutamos de uma certa liberdade, mas dá  prá perceber um certo mal-estar  mesmo com toda ilusão de felicidade, seguimos oscilando entre o mêdo e a esperança, cuja alegria, não é a superação de nossas paixões e um mundo de fato democrático, mas possuir o último modêlo de veículo ou o novo smartphone que postamos no Facebook.

Mas, se a política (Estado) deveria nos oferecer segurança e liberdade para a construção de um mundo melhor, quem roubou nossa coragem? Como diria Legião Urbana.

O DISCURSO DA SERVIDÃO VOLUNTÁRIA

Gostaria aqui de retomar o pensamento de La Boétie, que discute a seguinte questão: Por que obedecemos de forma dócil ao tirano? Por que servimos de forma voluntária aos poderes que nos oprimem? Será por que o tirano possui extra-poderes? Será por que ele possui garras e dentes que nos imprime o terror?

Não, dirá La Boétie, abaixamos a cabeça e obedecemos sem questionar, por que nós (milhões de súditos por todo o planeta) temos mêdo da liberdade de poder decidir nosso próprio destino.

Além do que, anos de experiência e exercício no poder, as empresas que dominam a economia, diluíram a imagem do tirano, mascaram a exploração através de uma imagem de investimento social, transformam seres comuns em pseudo-celebridades, o velho pão e circo dos romanos com uma nova roupagem de espetáculo.

No entanto, a história está repleta de boas intenções e tentações, como nos lembra Paulo Freire em sua “Pedagogia do Oprimido”, nós enquanto classe de oprimidos, lutamos contra o poder opressor, e uma vez superada a opressão e nivelada a justiça, cometemos os mesmos erros que combatíamos.

Será que, enquanto espécie biológica e espiritual que sobreviveu até aqui, nós, humanos, estamos com os dias contados ou não? Será que somos hospedeiros de um projeto hiper-capitalista que se antecipa aos nossos mais profundos desejos de mudança e nos oferece em troca um mundo de ilusões.

Sou otimista, um bom uso das redes sociais seria um caminho (vejamos o exemplo do Egito), mas não dá prá deixar de pensar ou então, bem vindos ao mundo pós-biológico e neo-totalitário. Um abraço e até o próximo post.

BIBLIOGRAFIA:

ARENDT, Hannah – “A condição Humana”. Editora Forense, Rio de Janeiro, 1993.

BOÉTIE, Étienne – “Discurso da Servidão Voluntária”. Editora Brasiliense, São Paulo, 1999.

BUCCI, Eugênio – “Aquilo de que o humano é instrumento descartável” in NOVAES, Adauto, “A Condição Humana”.  Editora Agir, São Paulo, 2009.

CHAUÍ, Marilena – “Convite à Filosofia”. Editora Atica, São Paulo, 1995.

DARWIN, Charles – “A origem das espécies”. Editora Folha de São Paulo, São Paulo, 2010.

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BUENOS AIRES, VISTE??

Sempre tive uma certa antipatia por Buenos Aires e os amigos de Mendonza, de Rosário, de Córdoba sempre confirmavam a arrogância dos portenhos, mas depois de assistir ao filme “Medianeiras” simpatizei tanto com a história que resolvi romper o gêlo e conhecer a cidade de “Nossa Senhora do Bom Ar” ou simplesmente Buenos Aires.

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A primeira impressão que tive da cidade, me lembrou o filme “Crespúsculo dos Deuses”, (1950), direção de Billy Wilder, e que conta a história de uma atriz (Glória Swanson) que um dia bela em seu batom vermelho, famosa, acostumada com o glamour, com a passagem do tempo envelhece e  inconformada em ter perdido as luzes dos refletores, não consegue encarar a realidade, passando a viver de um passado de glória.

Uma rápida anedota ajuda a ilustrar esta idéia, caminhava pelas calçadas da avenida 9 de Julho buscando determinado cinema e me encontro com um senhor de oitenta anos que se mostrou bastante simpático ao descobrir que eu era brasileiro. Em seus tempos de glória (ou de dólar) já tinha morado no Brasil (Rio, Recife, Camboriú, etc) e depois de ouvir durante alguns minutos suas histórias, pergunto sobre os povos que ajudaram a construir a cidade – ele me cita os espanhóis, os italianos, os judeus – então pergunto sobre as etnias indígenas, os mestiços e ele diz: Ah! Estes não contam!!!

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Mas, eles estão pela cidade, netos dos êxodos rurais, imigrantes colombianos, peruanos, paraguaios, massacrados pela industrialização e pela globalização. O incrível foi é que ouvi justamente desta classe que hoje luta para sobreviver dos “Maxiquioscos” (lojinhas de uma porta que vendem de tudo) uma espécie de ressentimento constante contra os brasileiros que aproveitam a relação real x peso para fazer turismo pela cidade, como se a culpa fosse dos turistas que se encantam pela cidade.

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Agora, basta caminhar pelos bairros de Ricoleta, Palermo, Nuñez, Porto Madero para se perceber que existe uma classe que se foi afetada pela crise, caminha sem pisar no chão, frequentam restaurantes luxuosos, ainda viajam pela Europa, andam de BMW e frequentam os teatros na Avenida Correntes em suas roupas de gala. Para esta classe o turismo faz parte da civilidade de uma cidade cosmopolita.

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Na realidade, Buenos Aires se tornou, se é que nunca deixou de ser, uma cidade bastante cara para as camadas sociais mais baixas, no verão falta água, falta luz, é um caos para quem vive do pequeno comércio.

Outra anedota para ilustrar: Primeiro noite no hotel, ligo a televisão e noticiam uma senhora sexagenária que indignada pela falta de energia elétrica, saiu no meio da rua e tirou a blusa, deixando as tetas de fora, gritando: ”Cansei de pedir, o negócio agora é escandalizar para chamar a atenção!” e chamou, cinco minutos depois da cena sair ao vivo na televisão, seu problema foi solucionado.

Porém esta foi uma primeira impressão. Aterrizando, me hospedei em um hotel quase esquina com a Avenida Rivaldávia, no bairro Once (quase coração da cidade). Hotel Rodney, um lugar confortável e um pessoal super querido (Silvania, Luciano, Ariel, Nadia, Lucas, Norma), recomendo de coração.

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Então no dia seguinte comecei a procurar pelo imaginário que move a cidade, não no luxo, na ostentação, na arrogância de uma classe conservadora, mas nos cafés, nos bodegones (restaurantes onde come ou comia a classe trabalhadora), nas praças, nos metrôs.

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Buenos Aires, janeiro de 2014, verão de 40° com sensação térmica de 45°, umidade relativa do ar 60%, calor implacável; é uma cidade plana (sem grandes ladeiras) e se pode caminhar quilômetros a pé pela cidade. As ruas são movimentadas como toda grande metrópole, mas não se respira o clima de violência que encontramos nas capitais brasileiras, um prazer fazer os roteiros a pé ou de bicicleta, de dia ou de madrugada, tirando o calor né, imagina eu acostumado com o clima de Curitiba,  transpirava mais que um cachorro São Bernardo.

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Bem, outra mais: Sabadão, meio-dia, caminhando entre as terraças dos cafés da Avenida Correntes e de repente um rápido tumulto: Um grupo de turistas brasileiras se queixando junto a um policial de que foram vítimas de um assalto, levaram suas bolsas que estavam nas cadeiras. Não preciso nem falar nada, encantadas com tantas lojas na rua Florida, retornando das compras, resolveram parar para comer algo, foram ao banheiro e deixaram suas bolsas nas cadeiras dispostas na calçada. É prá acabar né! Buenos Aires é tranquila, mas não dá prá marcar touca.

Por certo, a cidade é uma tentação com todo tipo de loja, no  bairro Palermo tem lojas super elegantes, Ricoletas transbordam também as boutiques, próximo ao hotel, quantidade de lojas de judeus que vendem pedras preciosas, bijouterias, etc., a rua Florida é uma peatonal com lojas e mais lojas para se comprar roupas;  nesta última, gente bonita de todo canto do planeta e brasileiros a dar com pau. Preciso dizer a palavra mais repetida nesta rua: “Câmbio dólares, câmbio reales!”. Ejem.

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Uma das coisas que me chamou a atenção foram os olhos do povo portenho, olhos um pouco caídos, levemente rasgados,  como os de um cooker espanhol e uma variedade de castanhos, azuis, verdes, encantadores.

De fato, o tango está no espírito dos portenhos, música que assim como o blues americano, nasce nos prostíbulos portuários da cidade para ganhar o status erudito que se respira na cultura da cidade. É bastante comum a gente encontrar um portenho reclamando da economia, dos políticos, dos brasileiros, mas basta alguns acordes de tango para se sentir o clima dramático, boêmio, de amores e traições que se respira no tango.

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Outra: Desta vez foi na Avenida Santa Fé. Um grupo imenso de pessoas congestionavam a calçada, me aproximo e havia um silêncio sagrado, olho para a vitrine e tinha uma televisão ligada em uma loja onde se cantava uma versão ópera de “Dont´cry for me Argentina”. Na feira do bairro San Telmo encontrei o mesmo espírito em uma galera que disfrutava com um grupo musical que fazia variações do tango. Tenho que tirar o chapéu, valorizam sua identidade, sua cultura de maneira quase sagrada, daí um orgulho que pode parecer arrogância para os mais desprevenidos.

A arquitetura é um capítulo a parte: Edifícios neo-clássicos, neo-góticos…  se respira cultura por toda a cidade, livrarias, cafés lotados, restaurantes lotados, teatros, cinemas, Buenos Aires respira boêmia, vida noturna. À noite os portenhos estão mais sorridentes, relaxados, outra onda.

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Surpresa também foi não encontrar pessoas falando pelo celular nas ruas, bares ou metrôs, a conversa, o olhar para o seu interlocutor, ainda funciona. Outra constatação: Não encontrei shoppings pela cidade, existem sim as galerias comerciais que imprimem à cidade um espírito de modernidade e que nos remete à descrição de Walter Benjamin sobre as mudanças na vida urbana parisiense no início do século XX.

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A dieta gastrônomica dos portenhos é baseada em batatas, pizzas, pão, lingüiça e carne vermelha, senti o intestino pesado nos primeiros dias, mas logo descobri um restaurante vegetariano super bom, cujo dono é chinês, foi minha salvação, batia cartão todo dia, Coca-cola por lá é raridade, quem domina é a Pepsi.

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Posso contar outra: 23:00 hs da noite de segunda, caminhando pela cidade esqueci de fazer um café, perto do hotel encontro um pequeno restaurante que cuida um peruano, acabei comendo umas empanadas deliciosas (tipo massa fina de torta, assados com carne/frango/queijo/presunto) com cerveja Brahma e arrebatei com uns tamales (pamonha doce). Só que quando o dono descobriu que eu era brasileiro, ficou duas horas me contando sobre a gastronomia espanhola, o sujeito era super simpático, um grande abraço para ele.

Os parques em Palermo são imperdíveis, quilômetros de verde, bem cuidados, tranquilos, ótimos para se fazer um pic-nic na grama, onde os jovens se reúnem para namorar, tocar violão em um clima bem poético.

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Os boliches por lá são os lugares para dançar (disco, salsa, tango, etc), só que a noite nos boliches começam muito tarde, 2:00 da manhã; em minha primeira saída para dançar, dormi demais, perdi a hora e cheguei na balada as 4:30 da manhã, deu prá agitar até as 6:00. Mas logo me adaptei. 🙂

Depois de uma semana de cidade grande, me cansei um pouco e então aproveitando a dica de um amigo argentino, o Daniel, peguei um ônibus no Retiro e desci em San Antônio de Aleco (100km de Buenos Aires), uma cidadezinha de três mil habitantes, cujo turismo é de olfebrería equestre (prata) e artesanato, lugar super calmo, uma volta aos bons tempos, piazada nadando no rio, jovens descansando debaixo das árvores, famílias felizes fazendo o pic-nic. Dizem que lá as pessoas dormem de portas abertas, acho que é pura verdade. Cidadezinha encantadora.

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Enfim, como primeira experiência para conhecer a cidade e desfazer alguns preconceitos, valeu a pena conhecer Buenos Aires, escrevo com saudades de um monte de coisas. Mas como a idéia é compartilhar e fazer um convite, na próxima postagens deixo algumas dicas bem interessantes para quem tiver afim de se aventurar por Buenos Aires. Viste? Um grande abraço.

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EDOUARD MANET E OS CAMINHOS DA ARTE MODERNA

Olá pessoal, conforme o prometido, hoje vamos conhecer um pouco mais sobre a produção de um dos precursores da arte moderna, Edouard  Manet.

E, nada melhor para  conhecer este artista  apresentando  as pinturas que representaram uma ruptura com a arte acadêmica e a busca por novos caminhos.

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Almoço na Relva, 1863 – Edouard Manet

Vocês podem estarem se perguntando, mas por que esta obra foi tão significativa para os caminhos trilhados pela Arte Moderna? A princípio vemos um grupo de pessoas fazendo um piquenique em um parque, é certo, uma das mulheres está nua e olhando para o expectador, mas por que esta pintura foi recusada pelo Salão de Paris de 1863, obrigando o artista a expor em uma sala de pintores recusados pela crítica da época?

Nestes dias,  já haviam pinturas que retratavam a nudez feminina e se hoje, a gente pensar nas imagens publicitárias veiculadas em outdoors espalhados pela cidade, a imagem em questão, poderia tranquilamente ser um anúncio de cerveja.

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Porém, Manet em  sua pesquisa, produz diversas rupturas com a pintura vigente na época, ou seja, a pintura acadêmica, que estabelecia uma série de critérios a serem seguidos.

Primeiro foi o conteúdo temático da obra, uma mulher, no caso, uma prostituta bastante conhecida nas noites de Paris, Victorine Meurent que lança um olhar desafiador para os espectadores, como que dizendo: “Quando vocês querem ter filhos vocês procuram suas esposas, mas quando querem prazer, sou eu a quem vocês buscam”.

Não que fosse um problema frequentar bordéis, inclusive os filhos da burguesia iniciavam sua vida sexual nos bordéis, inclusive era um traço de virilidade masculina, comentar sobre as doenças venéreas que os cavalheiros haviam contraído nos bordéis, pensem que, na época, a sífilis era uma doença mortal e não tinha cura, mas isso era visto pelo circuito social masculino como um sinal de status.

Agora, outra coisa bem diferente é apresentar uma prostituta que tinha inclusive muitos críticos de arte como cliente. Victorine como representação da luxúria e da sífilis, isso era demais. Manet até poderia pintar uma mulher nua que remetesse às histórias mitológicas, como Vênus e outras mulheres.

Mas não, Manet se alimenta da tradição acadêmica de imagens mitológicas e religiosas, fazendo uma nova leitura destas pinturas que ele teve oportunidade de estudar e trazendo para a atualidade de seu tempo essa nova visão.

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Vale a pena a gente observar alguns detalhes que fazem parte do simbolismo da pintura. No canto inferior esquerdo da pintura vemos uma rã que pode estabelecer uma referência à palavra francesa “grenouille”  que era utilizada tanto para designar o anfíbio, como para tratar de forma vulgar às prostitutas, do tipo: “Vamos comer uma rãzinha hoje?”. O cesto virado pode se referir à perda da inocência, as frutas e as conchas vazias podem remeter à comida afrodisíaca (para aumentar o desejo sexual) e que no caso já haviam sido consumidas.

Outro aspecto de ruptura na pintura de Manet têm a ver com a forma estilística, isto é, Manet não obedece aos critérios estipuladas pela Academia de Belas Artes na pintura acadêmica. Primeiro, a mulher ao fundo se banhando não respeita as regras de proporção relativas à diminuição da imagem conforme a distância; também podemos observar que os valores tonais que determinam volume, luz, cores, são postos de lado em uma imagem que transita de maneira dramática entre a pele clara de Victorine e os tons escuros nas roupas dos cavalheiros que a acompanham.

As produções seguintes de Manet vão seguir pelo mesmo caminho “Olímpia”, “Música nos jardins das Tulherias”,  “Bar nas Folies-Bergéres”, etc.

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Olímpia, 1863                                                        Um Bar nas Folies-Bérgeres, 1881/92

Então vocês devem estarem  se perguntando se Edouard Manet não tinha aprendido a lição ao ver seus quadros recusados pelo Salão de Pari. Bem, na verdade, Manet nasceu em uma família abastada e assim eram financeiramente independente, isto é, não dependia de mecenas, nem padrinhos que significaria depender da venda de seus quadros para sobreviver.

Talvez isto não queira dizer muita coisa quando um artista acredita no caminho que está trilhando, vejam o caso de Vincent Van Gogh que pintou mais de 800 quadros e vendeu apenas um  em sua curta carreira.

No entanto, o importante é que a obstinação de Manet abriu caminho para que jovens artistas como Claude Monet dessem início a uma corrente estilista que ficou conhecida como “Impressionismo”, mas isto é tema para o próximo post. A luz e sua impressões sobre a natureza. Um grande abraço.

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ARTE MODERNA

ARTE  MODERNA, que bicho é isto?

Ainda hoje, quando perguntamos para as pessoas o que elas entendem por arte? A resposta continua sendo a idéia de um quadro bem pintado, com traços de beleza e uma acentuada analogia (semelhança) com a realidade, isto é, uma imagem figurativa que se pareça bastante com a realidade.

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Gênero: Marinha – Pintor: Almeida Junior, 1895

Porém, o artista é filho do seu tempo; assim como o Hip Hop através do Rap e do Grafite contesta a realidade que vivemos nas grandes cidades (injustiça social, vida em alta velocidade, truculência policial, mêdo da violência, busca da voz dos moradores das favelas, etc), o jovem artista que vivia em Paris na metade do século XIX, também resolveu contestar as mudanças que aconteciam, buscando novos caminhos para expressar suas idéias e sentimentos.

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AGORA OBSERVEM ESSAS DUAS IMAGENS:

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Moça com Livro – Almeida Junior 1879       A Boba – Anita Malfatti, 1917

As duas pinturas possuem como gênero pictórico o Retrato, mas e daí? Como ficamos na hora de compreender maneiras tão diferentes de representar uma pessoa?

Se o artista é filho do seu tempo e ele respira o clima de sua época (Zeitgeist),  a gente só pode compreender a Arte Moderna se tivermos como foco um contexto de aproximadamente 100 anos (metade do século XIX e a 1ª. Metade do século XX), considerando as imagens, fatos históricos e científicos que produziram a mudança na mentalidade e na maneira de perceber o mundo.

QUE HISTÓRIA É ESSA DE MUDANÇAS?

Pois é, imagine-se você sendo um adolescente, vivendo em Paris (capital da França), na metade do século XIX (1850).

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No início do século XIX (1800), Paris é uma cidade com mais de 1 milhão de habitantes, o centro da cidade povoado de cortiços e a via de esgoto fica a céu aberto, a cidade toda fede à falta de higiene.

Mas na metade do século a cidade começa a passar por intensas e profundas transformações.

* A cidade se moderniza através de grandes avenidas, o gás e a eletricidade iluminam ruas, avenidas e grandes lojas, respira-se um clima de progresso e entusiasmo.

* As pessoas passam a ter acesso às informações com os jornais que passam a ter tiragens diárias.

* Os trens passam a transportar as pessoas para lugares que antes elas só conheciam através de imagens, a vida se acelera.

* Em 1889, constrói-se a Torre Eiffel para a inauguração da 1ª. Exposição Universal.

* As pessoas abandonam a vida no campo para viverem e trabalharem nas cidades (migrações) e a população nas cidades se triplicam.

* A vida social se divide entre pessoas com dinheiro e que podem desfrutar do progresso e da vida cultural e uma classe de operários que trabalham longas jornadas nas fábricas , sem tempo nem condições para o convívio social e  cultural.

* As descobertas científicas no campo da física e da química sustem os avanços industriais. Surge o amoníaco, a dinamite, a nitroglicerina, a prensa rotativa, o concreto armado, a lâmpada incandescente, o avião, o automóvel, o raio X, a 1ª. Cesariana, etc.

* O telégrafo encurta as distâncias de comunicação.

* A produção Industrial cresce de forma acelerada.

* Surgem os primeiros sindicados e explodem as greves dos operários que buscam mais justiça social.

A INVENÇÃO DA FOTOGRAFIA e a Mudança na Percepção

Inventada em 1820 e aprimorada em 1839 através da experiência de homens como Niépce, Talbot e Daguèrre, a fotografia, ao aliar princípios da física (Câmera Escura) e da química (sais de prata), surge como um dos principais inventos do início vida Moderna.

daguerreotipoOs artistas até então incumbidos de retratar pessoas e paisagens são substituídos por fotógrafos, ficam agora livres para realizar novas pesquisas e experimentos.

É nesse clima de liberdade e contestação que um novo grupo de jovens artistas começam a trabalhar. O crítico de um jornal francês, apelida-os de “Impressionistas” depois de ver uma tela de Claude Monet intitulada “Impressão, Sol Nascente”.

Porém, antes de esclarecer as sementes do Impressionismo, temos que considerar o papel que desempenhou um pintor conhecido como Eduard Manet, nos caminhos da ruptura da Arte.

Mas isto já é tema para o próximo post.

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DESENHO INDUSTRIAL

Embora muita gente torça o nariz com o que vou afirmar, acredito que hoje o espaço reservado aos artistas (pintores, cantores, etc), está sendo ocupado também pelos  “designers”.

Ou melhor dizendo “desenhistas” de produtos; seja um tênis, um automóvel, uma tipografia, um eletrodoméstico, uma jóia, um vestido, um sapato, uma cadeira, uma embalagem nas gôndolas de um supermercado. Praticamente tudo que adoramos e desejamos como objeto de consumo passou pelas mãos de um designer.

Como não poderia deixar de ser, dentro do espírito dos tempos (Zeitgeist), inseridos em uma sociedade hiper-capitalista e consumista, os designers (industrial, gráfico, etc), são criativos e estão sem nenhum pudor a serviço da indústria e do comércio.

Vamos conhecer um pouco mais?

 

Imprima aqui a apostila em pdf.   APOSTILA DE DESENHO INDUSTRIAL 1

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COMO SURGIU A IMAGEM DO ARTISTA

Qual a primeira imagem que vêm em sua mente quando ouve a palavra “artista”?

Geralmente, a primeira imagem que fazemos de um artista, é aquela de um sujeito rebelde, louco, barbudo, um gênio.

Hoje em dia é comum a gente confundir artista com celebridades do Big Brother, porém diferente das celebridades que ocupam a mídia durante algumas semanas, o sujeito criativo, que produz arte, seja um pintor, ator, cantor, músico, etc., irá atravessar os séculos e a memória da humanidade.

Porém, como essa imagem foi construída? Vamos conhecer um pouco mais!

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